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Embu é cenário de lendas próprias e outras que, disseminadas por todo o Brasil, foram sendo incorporadas ao imaginário embuense. Algumas retratadas no livro Embu - Terra das Artes, Berço de Tradições de Moacir de Faria Jordão, Ed. 1972.Dentre as lendas embuenses que merecem destaque estão as que tratam do início do aldeiamento jesuítico:
"Lenda da Fundação da Aldeia"


O Padre Belchior de Pontes recebeu ordens de fundar um colégio no planalto. Então de Itanhaém subiu a serra para os campos de Piratininga, por um caminho muito ruim e desconhecido, palmilhando por vários dias ínvias trilhas, até encontrar um pantanal onde quase se atolou, não fosse o aparecimento providencial de um índio, que o levou desfalecido para a sua choça num outeiro. Enquanto o padre não voltava a si, o silvícola saiu para buscar água. Recuperando-se, o padre Belchior de Pontes foi informado pela mulher do índio da ausência do seu salvador, que já se prolongava de maneira inexplicável. Saíram à sua procura e o encontraram morto, picado e envolvido por uma grande cobra. O índio foi velado e sepultado dentro dos preceitos da Igreja e sobre a sua sepultura levantou o padre a capela de Nossa Senhora do Rosário, construindo em seguida a igreja.

A cobra, bohy em Tupi, que matou o índio, sepultado sob o altar-mor, teria dado o nome de M’Boy à Aldeia.

 

"Lenda do Senhor dos Passos"

Relaciona-se esta lenda com a imagem do Senhor Morto, conhecida popularmente como "Senhor dos Passos" de autoria do Padre Macaré, considerada uma obra-prima. O Senhor Morto se encontrava na igreja descansando sobre a sua perfeição, o peso enorme que lhe foi conferido pela crendice popular é explicado pela versão que atribui essa escultura a um jesuíta cego que foi ajudado pelos anjos e pelos índios no seu trabalho. Tempos depois da imagem pronta, tentaram levá-la para a Sé velha de São Paulo. A imagem, porém, não quis sair da igreja do Embu, tomando a posição de quem se afirma, mesmo deitado em seu lugar. Organizaram uma procissão para acompanhá-la, inútil. Ao chegar o cortejo junto às divisas da Freguesia, a imagem começou a pesar tanto que não foi possível a continuação da viagem. Desistiram os fiéis e retrocederam. A imagem tornou-se leve e foi depositada no lugar em que se encontrava, e está até hoje no Museu Sacro.
 

"Lenda do Engenho Velho"

No final do Engenho Velho existiam umas cruzes e algumas pessoas dizem que era um cemitério de leprosos.

Por isso, alguns moradores eram devotos de São Lázaro. Essas terras até agora não foram loteadas.

( Texto extraído do livro "EMBU - ALDEIA DE M'BOY" de Raquel Trindade, 2003)

 

"Lenda do Cavaleiro"

Diz a lenda que se ouvia o trotar do cavalo lá onde hoje é a Rua Siqueira Campos. Esse cavaleiro misterioso subia a rua onde hoje á a Rua Solano Trindade e ia até o campinho, atualmente Estádio Hermínio Espósito. Um dos que afirmou que ouviu o cavaleiro era o escultor Saboya. Os cachorros rodeavam a assombração olhando para o alto mas o povo só ouvia o trotar do cavalo... trot, trot, trot.

( Texto extraído do livro "EMBU - ALDEIA DE M' BOY" de Raquel Trindade, 2003

 

"Lenda da Porca e os 40 Leitões"

Registra a velha crônica que naqueles tempos tenebrosos existia no Embu uma porca muito grande, com cerca de quarenta tetas, que se fazia acompanhar sempre de numerosa ninhada de leitões. Essa porca que aparecia todas as sextas-feiras, depois da meia-noite, era, segundo a crença, uma mulher pecadora, comadre e concubina de um dos padres do convento, e os leitões representavam o fruto do seu sacrílego pecado, cabendo a cada qual uma das tetas da porca, tema esse reproduzido em quadro pela pintora Deg Lopes e doados ao Museu.

Lobisomens, almas do outro mundo, duendes de toda a sorte infestavam as ruínas do convento, espalhando o terror entre o povo supersticioso, que, nas horas mortas da noite, jamais se aproximava do abandonado casarão.

( Texto extraído do livro "EMBU - TERRA DAS ARTES E BERÇO DE TRADIÇÕES" de M. F. Jordão, 1972)

 
“A Lenda da Cobra e do Índio”
Recebera o Padre Belchior de Pontes ordens de fundar um colégio no planalto. Ele veio de Itanhaém e subindo a Serra para os campos de Piratininga, por um caminho muito ruim e desconhecido, palmilhando por vários dias ínvias trilhas, até encontrar um pantanal (nas proximidades do atual Embu-centro) onde quase se atolou não fosse o aparecimento providencial de um índio, que o levou desfalecido para sua choça num outeiro. Enquanto o padre não voltava a si, o silvícola saiu para buscar água. Recuperando-se, o Padre Belchior de Pontes foi informado pela mulher do índio da ausência do seu salvador, que já se prolongava de maneira inexplicável.
Saíram à sua procura e o encontraram morto picado por uma grande cobra. O índio foi velado e sepultado dentro dos preceitos da Igreja e sobre a sua sepultura levantou o padre a capela de Nossa Senhora do Rosário, construindo em seguida a igreja.
A cobra que matou o índio, sepultado sobre o altar-mór, teria dado o nome de M’BOY à aldeia.

(Extraída do livro “Embu - Terra das Artes, Berço de Tradições”, de Moacyr de Faria Jordão, Ed.1972)

“Lendas do Tesouro do Lago”
Quando da expulsão, os jesuítas reuniram num tacho todo o seu ouro e pedrarias, certos que estavam de sua eminente prisão. Desceram a ladeira carregando o tesouro e construíram uma pequena jangada de toros de bananeiras. À jangada prenderam longos cabos de cipó. O mesmo ocorrendo com relação ao tacho. Enquanto uns padres puxavam a jangada para o centro do lago, outros mantinham seguros os cabos do tacho. Quando o improvisado meio de transporte atingiu o centro do lago, o tacho foi afundando calmamente, escondendo nas águas o brilho do tesouro. Ora, sob o altar mor da Igreja Nossa Senhora do Rosário, segundo a lenda, encontram-se sepultados muitos jesuítas. Em determinada hora da noite, ainda não identificada, os jesuítas abandonam os seus sepulcros e, com seus longos hábitos negros, que fazem ressaltar a brancura dos ossos da cabeça, das mãos e dos pés, seguem em fúnebre e terrível procissão e descem a ladeira de Embu. Em torno do lago continuam a trágica procissão, suas vozes elevando-se à solidão da noite, ouvindo-se mesmo o desafiar das camândulas dos Rosários. Em seguida, sempre em procissão, caminham para o cemitério, onde permanecem horas seguidas em confabulação com os mortos. Ao desmaiar da noite, o cortejo de espectros volta à Igreja. Por isso, quando a luz apaga-se no Embu, os moradores dizem que a procissão vai sair, pois ela é feita às escuras.

(Acervo da Secretaria de Cultura do Município de Embu
)

“A Lenda do Diabo”
Conta a lenda que os silvículas não acreditavam no diabo e no inferno. O Padre Belchior de Pontes mandou então fazer um diabo tosco de madeira, mas terrível, montou-o num cavalo e saiu pela cidade dizendo que acreditassem nas forças do mal, que o diabo desviava os homens do bom caminho, levando suas almas para o inferno. Os índios assim mesmo não acreditaram e, em altos brados, divertiram-se a valer com o espetáculo do rude Lúcifer transformado em cavaleiro.
Mas ai! Quando maior ia a algazarra, o diabo de madeira começou a movimentar-se, tornando-se o demo de verdade. Reuniu-se a bugrada estupefata e matou o diabo em pleno largo do M’boy e desde então os aldeados acreditaram nas forças do mal.

(Extraída do livro “Igrejas de São Paulo”, de Leonardo Arroyo).

“A Mãe d’Água”
Diz a lenda que na cachoeira de Embu aparece uma mulher moça formosa, cujo corpo da cintura para baixo tem forma de peixe e as mãos se assemelham às extremidades inferiores dos palmípedes. Firmando-se na cauda de escamas, ela eleva-se na superfície da água na beirada da cachoeira, e fica a banhar-se indolentemente com os longos cabelos de limbo caídos pelas costas e enfeitados com uma flor branca penteando-se com pente de espinha de peixe e entoando maravilhosa canção, atrai os homens com sua faceirice e canto hipnótico.
(Acervo da Secretaria de Cultura do Município de Embu)

“A Procissão da Recomendação”
Os recomendadores são grupos de homens e mulheres de votos, que saem pelas horas quietas da noite, geralmente com as cabeças cobertas de panos brancos, a cantar e pedir orações pelas almas dos pecadores que padecem no purgatório. Esses grupos saem geralmente na época da quaresma e cantam a encomenda em frente às portas das casas, dos cemitérios e em frente às cruzes dos caminhos. Os moradores das casas devem apagar as luzes, manter silêncio e rezar as orações pedidas pelos encomendadores: - um padre-nosso pelos que morrem afogados... - um padre-nosso pelos que morrem sufocados...
E continua o apelo interminável pelas almas... Há crenças de que não se deve olhar para trás e, quem dentro da casa estiver, não deve sair, nem mesmo à janela, pois acredita-se que as almas acompanham também o cortejo. Em Embu, esse fato folclórico era conhecido como “Procissão de Recomendação” e percorria sete estações ou sete passos:

> a primeira, na cruz do lar de Embu;

> a segunda, na capelinha de Felipe Nery Damasceno;

> a terceira, no terreno do Carvalho;

> a quarta, na capelinha que existia defronte
a atual chácara do professor Dr. Cândido Motta Filho;

> a quinta, no portão do cemitério;

> a sexta, no Cruzeiro que também existiu no Largo da Matriz, defronte à sua porta;

> a sétima, na própria porta da Igreja

( Texto extraído do livro "EMBU - TERRA DAS ARTES E BERÇO DE TRADIÇÕES" de M. F. Jordão, 1972)

 

"Lenda dos Fantasmas e outras Aparições Medonhas"

Em tempos anteriores, reza a tradição, ninguém podia se aventurar pelas ruas do povoado depois da meia-noite, tal era a procissão de fantasmas, porcas de cria roncando, com seus leitões, redes transportando cadáveres gemendo e o som cavo e soturno de taipas socadas, indicando sem rebuços os enterramentos como então se faziam. O advento, porém, da luz elétrica, pôs termo a essas aparições..

( Texto extraído do livro "EMBU - ALDEIA DE M'BOY" de Raquel Trindade, 2003)

 

"Lenda do Saci Pererê"

Acredita-se que um negrinho de uma perna só fica no muro do cemitério dos Jesuítas fumando seu cachimbo e assobiando para os passantes. Quando tem rodamoinho de vento é porque ele está dançando. Quem quiser prendê-lo é só colocar uma urupemba* em cima do rodamoinho e colocá-lo numa garrafa.

Tem que ter cuidado quando o levar para casa pois ele faz a maior bagunça caso se solte. Mistura arroz com o feijão, o açucar com o sal, beliscar as moças, inferniza a vida de quem o prendeu.

( Texto extraído do livro "EMBU - ALDEIA DE M' BOY" de Raquel Trindade, 2003* Urupemba, peneira)

 

   
     
 
 
     
 
 
 
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